Crítica: Boa Noite, Mamãe (2016)

Por Rafael Yagami

Mãe solteira de um par de gêmeos idênticos se submete a um tratamento de beleza facial que a deixa com o rosto totalmente enfaixado, depois de um comportamento estranho da parte dela faz os meninos começarem a desconfiar se essa mulher é realmente a sua mãe. Então é um suspense? terror? drama?, é uma mistura disso e muito mais, tudo muito bem equilibrado e na medida certa.

Escrito e dirigido pela dupla de diretores austríacos Veronika Franz e Severin Fiala conduzem a trama de forma bastante inteligente e intrigante, começando com um ritmo lento e contemplativo e a partir do segundo ato injetando altas doses de suspense e tensão, é importante ressaltar que essa mudança é feita de forma competente e não prejudica o ritmo do filme de forma alguma, o roteiro é uma das jóias do filme, escrito com total dedicação a deixar o público de cabelo em pé, se desenrola de força inimaginável, não se engane, não há clichê e ainda temos uma forte mensagem pessoal e social a ser refletida.
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Para sustentar esse grande roteiro por 100 minutos de projeção temos um excelente e pequeno elenco, começando pela mãe Susanne Wuest conhecida pelo papel no filme “O Campeão de Hitler” nos entrega uma atuação que muda a todo o momento, oras o público odeia oras ama, um grande trabalho intrigante e ao mesmo tempo assuadoramente real. Os gêmeos Lukas e Elias Schwarz roubam completamente o filme, os momentos de brincadeiras são reais, o espirito infantil se encontra muito vivo em ambos, com um grande potencial para outros trabalhos futuramente, promete e cumpre assustar cada um que se atreva a assistir Boa noite, mamãe
Filmado na fria e solitária Áustria, a fotografia do filme é muito mais que competente, é quase um elemento da trama, e está aqui para mostrar o isolamento e silencio que existe naquele lugar, o público sente algo errado e fica inquieto até tudo ser revelado. Efeitos práticos e especiais estão aqui a favor do filme, a trilha sonora é inquietante e a maquiagem é perfeita, um grande trabalho principalmente nas cenas da mãe.
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Ich seh, Ich seh (Vejo, Vejo, traduzido do alemão) no original, foi o escolhido como representante da Áustria na temporada de premiações e como todo mundo já sabe não conseguiu indicação ao Oscar, isso se prova um erro terrível estamos aqui diante de um filme original e intrigante, merece reconhecimento, porém ser apreciado vai ser o suficiente. Perda da identidade ou apenas loucura? é um dos muitos temas abordados ao longo da trama, cheio de tensão é um prato cheio para todos que gostam de cinema tenso e assustador, já é um dos melhores filmes do ano.

RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI
Nota: 10/10

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