BEN-HUR (2016): Possui Boas Cenas de Ação, mas não supera Longa Original

Por Rafael Yagami

 

O nobre Judah Ben Hur, contemporâneo de Jesus Cristo, é injustamente acusado de traição e condenado à escravidão. Ele sobrevive ao tempo de servidão e descobre que foi enganado por seu próprio irmão de consideração, Messala, partindo, então, em busca de vingança.

Refilmagem do clássico de 1959 que além de ser um dos melhores filmes já feitos, conquistou nada menos que 11 Oscars, olhando para o quadro do filme anterior, um remake em pleno século 21 seria totalmente desnecessário, e acabou sendo isso mesmo. A direção fica a cargo de Timur Bekmambetov, responsável por filmes como “O Procurado” e “Abraham Lincoln: Caçador de Vampiros” e tirando as cenas de ação, o diretor está completamente sem domínio na produção. O jogo de câmera é estranho, oras zoom estranho no rosto dos atores e muita câmera tremida até mesmo em cenas com de simples conversas. Nas grandes cenas de ação, a primeira em alto mar é muito bem pensada, tanto em essência como ponto de vista e na grandiosa cena das corridas de carruagem é tudo muito bem feito, o valor de entretenimento está a mil e deixa o espectador de olhos grudados na tela. Fora isso o ritmo do filme é falho, grandes intervalos onde não acontece nada, deixando o filme cansativo e desinteressante.

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O roteiro escrito por John Ridley e Keith Clarke é uma das piores coisas do filme, a trama procura fugir em muitos aspectos do conteúdo do filme original, porém no ato de criar coisas novas, acaba criando coisas novas ruins. Cheio de diálogos patéticos, personagens sem sal e sem vida e soluções para problemas entrementes ridículas. O curioso é que John Ridley levou o Oscar de melhor roteiro pelo filme “12 Anos de Escravidão” e aqui entrega um material muito abaixo do aceitável e beirando ao ridículo.

Na parte técnica o filme conta com uma fotografia aceitável, direção de arte competente e figurinos estranhos, fica até a impressão em determinada cena que um personagem está usando calças jeans na época de Cristo. Os efeitos visuais são competentes, ainda mais nas cenas de ação, cumprem a finalidade.

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No elenco dos principais, como Bem-Hur o ator Jack Huston entra um trabalho sem vida e pouquíssimo expressivo, não passa em nenhum momento que é uma pessoa movida a ódio e rancor. Toby Kebbell na pele de Messala consegue ser pior ainda, com seu semblante raivoso durante todo o tempo de produção. Morgan Freeman está aqui no piloto automático no papel de instrutor e narrador, nada a declarar. Rodrigo Santoro, o Jesus Cristo da vez é um coadjuvante aceitável, não incomoda, mas também não se destaca. Nazanin Boniadi, a atriz consegue trazer uma leveza para a produção, mesmo sendo uma atriz bastante limitada. O dinamarquês Pilou Asbæk, aqui vive Pilatos, quase como um sub-vilão, não se destaca. Ayelet Zurer, no papel da mãe de todo mundo, tem pouco espaço, mas aproveita o quanto pode do raso material disponível.

É difícil de assistir esse filme sem fazer comparações mentais com o grandioso de 59, se for comparar, coisa impossível, esse remake merece a nota mais baixa possível, não sendo superior ao original em absolutamente nada. Porém como uma obra solo, é um filme que tem seu valor de entretenimento e deve agradar a quem gosta de épicos de guerra com pegada religiosa, mesmo não sendo muito aprofundada. No final fica a sensação de algo brega, mudando o final patético e aquela maldita narração que acha o publico burro demais para entender esse filme, até seria uma produção com algum valor, porém o que temos é duas maravilhosas cenas de ação, e quase nada a mais.


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RAFAEL YAGAMI

 

Nota: 6/10

 

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