CRÍTICA: BATA ANTES DE ENTRAR (2015)

BATA ANTES DE ENTRAR (Knock Knock, 2015)

55632121 (1)

 

Por: Vitinho Barbosa Moraes

SEM SPOILERS!

Quando Eli Roth lança um filme novo, as pessoas imediatamente já presumem internamente “lá vem sangue, muito sangue por aí” (reflexos do violento O Albergue). Surpreendentemente esse não é o caso de Bata Antes de Entrar, em que a presença do vertente líquido escarlate é praticamente ínfima comparada a outras produções do diretor, mas ainda assim o filme está longe de ser ruim, sendo o melhor home invasion (filmes de invasão domiciliar) de 2015 até o momento.

A trama é bem simples, basicamente temos Keanu Reeves interpretando um pai de família que trabalha como arquiteto e em um determinado final de semana, sua esposa e filhos vão viajar para a praia e deixam-no sozinho em casa devido ao excesso de trabalho acumulado. Eis que durante a madrugada chuvosa, duas garotas (interpretadas por Ana de Armas e Lorenza Izzo) batem à sua porta pedindo ajuda, pois se perderam a caminho de uma festa e tiveram seus celulares danificados pela aguaceira. Apesar da situação embaraçosa e de estar um tanto retraído e desconfortável, ele as permite entrar para se recomporem, as fornece toalhas e solicita um táxi através de um aplicativo de celular que apresentou a estimativa de 45 minutos até chegar à sua residência. Nesse meio tempo, as garotas puxam conversa com ele, resultando num diálogo bem inusitado, provocativo e um tanto constrangedor para o personagem. As ações seguintes após esse diálogo vão desencadear todo o resto que acontece ao longo do filme, e qualquer outro detalhe pode ser um spoiler, apesar de tudo já ser bem previsível, mas mesmo assim vou parar por aqui.

Quando o propósito do filme se estabelece ao final, damos de cara com um conceito que já fora utilizado em outros filmes, como por exemplo em Menina Má.Com (Hard Candy, 2005) e Death Games (1977). Considerando a ideia central, acredito que a história poderia ter sido contada traçando uma linha tênue entre protagonistas e antagonistas, jogando nos dois lados, mostrando o ponto de vista de ambas as partes, ao invés de simplesmente fazer o público odiar com todas as forças os antagonistas.

download (1)

A sensação de mistério é contínua e latente, pois o público não chega a de fato desconfiar descaradamente da situação, mas sente que há alguma coisa muita estranha no ar. A atuação das garotas é muito boa, pois ambas impregnam uma sensualidade com toques de humor, deboche e sangue frio; e uma complementa a outra, pois há o contrapeso da frieza e revolta da personagem da Lorenza Izzo com a carência e afetividade da personagem da Ana de Armas, e somando as duas temos uma dupla completamente insana. O mesmo não se pode dizer da atuação do Keanu Reeves, pois ele segura a barra até o momento em que seu personagem precisa ser contido e discreto, mas nos momentos de fúria em que ele externaliza seu medo e sua insegurança, fica forçado e artificial demais, beira até ao ridículo em alguns momentos devido a alguns diálogos, em que ele repete a mesma frase duas ou três vezes. Houve vários momentos assim, e todos foram irritantes. Mas um momento em especial, talvez uma das cenas mais importantes do filme, em que ele vocifera tudo o que o próprio público vem se perguntando desde o começo, ele acaba não convencendo e entrega uma performance preguiçosa e sem esforço. Além dele também há um personagem secundário extremante desnecessário e exageradamente estúpido, preenchendo a vaga de “personagem clichê de terror”, interpretado pelo Aaron Burns.

download (2)

Como foi dito anteriormente, o filme não jorra muito sangue na cara do público, mas também não abre mão de cenas de tortura, tanto físicas quanto psicológicas. A tensão em si está mais no fato do que as consequências das ações das personagens podem trazer do que a tortura física em questão. Os temas abordados vão desde infidelidade, liberdade sexual, e até uma pincelada em pedofilia, mas o filme nunca deixa realmente claro quais os motivos que impulsionam as ações das personagens, nos deixando uma sensação de violência e insanidade gratuitas, pois não há desenvolvimento das personagens delas, apenas alguns meros detalhes lançados que incitam a imaginação e ao público interpretar da forma que bem entender, mas ainda assim é pouco.

Bata Antes de Entrar é um filme despretensioso com uma mensagem interessante e pode divertir até certo ponto, para os fãs de suspense, mas há uma falta de estrutura que balança o alicerce, e é agravada pela falta de tensão, pois o toque “cômico” ameniza muito a sensação de perigo e urgência, mas vale a pena para passar o tempo.

1173898_10201326313590694_1083321270_n
VITOR BARBOSA MORAES

 

Nota: 6.5/10

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: