CRÍTICA: ATÉ O ÚLTIMO HOMEM (2017)

Por Rafael Yagami

Durante a Segunda Guerra Mundial, o médico do exército Desmond T. Doss se recusa a pegar em uma arma e matar pessoas, porém, durante a Batalha de Okinawa ele trabalha na ala médica e salva mais de 75 homens, sendo condecorado. O que faz de Doss o primeiro Opositor Consciente da história norte-americana a receber a Medalha de Honra do Congresso.

Mel Gibson comanda esse grande espetáculo de guerra voltando a suas origens, depois de nos presentear com novos clássicos “Coração Valente” e “A Paixão de Cristo” e aqui entrega um trabalho consistente, extremamente forte e chocante. Dividido em três atos: vida familiar, treinamento e a guerra, sendo o último uma das sequências mais fortes dos últimos anos, tudo o que o cinema tem de melhor, realismo e tensão. O diretor trabalha muito bem o caminho entre um ato para o outro, tudo muito bem dosado e usando uma edição ágil e oras com ordem invertida.

Robert Schenkkan e Andrew Knight assinam o roteiro, dentre seus trabalhos anteriores temos a serie da HBO sobre a guerra no pacifico “The Pacific” e o filme “Promessas de Guerra”, a dupla entende bem do tema e aqui temos mais uma prova de tal feito, o texto mesmo tendo um lado religioso jamais se apoia nisso e abre a discussão para muitos outros temas, a importância do caráter e traumas da infância influenciam o caminho que tomaremos na vida, tudo isso embalado com ótimos diálogos e personagem bem desenvolvidos e com camadas e muito sentimento, deixando cada vez mais claro os horrores da guerra e a hipocrisia de muitos em não acreditar no próximo.

No topo do elenco temos Andrew Garfield, que já tinha se destacado no maravilhoso “A Rede Social” e até descolado uma indicação ao Globo de Ouro por seu trabalho no drama baseado na criação do Facebook, porém o seu trabalho entregue aqui é o seu melhor até o momento, um olhar penetrante e muita atitude sustentam esse grande herói da guerra que fez história sem precisar usar nenhuma arma no maior conflito armado da historia do mundo atual. Um grande estudo sobre dedicação nos seus objetivos e pensamento firme nas suas escolhas, merece ser lembrado no Oscar. Vince Vaughn também entrega um desempenho respeitável, talvez seu melhor papel em um drama, na pele do militar casca dura o ator é convincente e emite muita autoridade. Teresa Palmer trás a leveza que faltava na produção, Sam Worthington e Hugo Weaving aparecem pouco, porém com participações muito importantes.

Hacksaw Ridge no original é um dos melhores filmes de guerra já feito, uma devida e muito tocante homenagem para um dos heróis do conflito, merece ser visto e refletido. Dirigido com maestria por um mestre que entende no que está mexendo, elenco maravilhoso e roteiro em forma, o que mais querer? Que venha o Oscar!


RAFAEL YAGAMI

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