Crítica: Annie (2014)

Por Jorge Fernando

 

Musical é um gênero muito relativo, muitas pessoas amam, outras detestam, ainda mais quando o filme não oferece nada de novo ou cai nos mesmos clichês de sempre. Annie ganhou grande repercussão por trazer no elenco principal, dois grandes atores, Quvenzhané Wallis e Jamie Foxx, mas isso foi tudo. Apesar de o próprio filme em uma das passagens criticar algumas atitudes dos musicais, como: “É sério que ele está cantando pra mim?” ou “eles colocam musicas em qualquer local”, isso não impede de que haja uma verdadeira profusão de cenas desnecessárias e que são arrastadas ao final mais previsível do possível.

O filme começa apresentando a personagem principal, Annie, uma jovem que teria sido abandonada pelos pais e que vive em uma casa gerida por uma ‘guardiã’ relapsa e que negligencia qualquer afeto às meninas. Determinada em encontrar sua família, Annie assume uma rotina e busca no restaurante local, respostas que levem ao paradeiro correto. Em um dia especial, Annie esbarra em Will, e a partir de então sua vida muda por completo. A princípio Will (Jamie), vê em Annie a oportunidade de elevar sua popularidade nas campanhas políticas de Nova Iorque, mas com o passar do tempo ele aceita o fato de gostar realmente dela. Por uma manobra do assessor de Will, Annie consegue então encontrar seus “pais”, que na verdade eram outras pessoas que tentavam tirar proveito da situação. Annie descobre que era tudo uma farsa e julga Will de enganá-la, até que tudo é esclarecido e eles podem se juntar como uma família feliz.

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É incrível como há tanta coisa ruim nesse filme, começando pelas péssimas atuações de todo o elenco. Há momentos de ‘vergonha alheia’ por parte do consagrado Jamie Foxx, bem como vemos atuações vexaminosas de outros bons atores. Walis não conseguiu sustentar aquele brilho visto em “Indomável Sonhadora”, e traz uma garota apática que não consegue emocionar a ninguém com seu relato de vida. Além de atuações embaraçosas, a proposta do filme com os musicais foi por água a baixo, quando utilizaram de momentos importunos para introduzir as músicas, fazendo com que toda a história trabalhada até então fosse perdida por uma cena infeliz. A montagem do filme é trabalhada de forma equivocada, dando um embaraço maior ainda a história da pequena órfã, sem contar que a trilha sonora parecia ter sido colocada por falta de opção. Por fim, se tem o roteiro, é lamentável que alguém ainda se prenda em clichês em tamanho século XXI, o filme é repleto deles e consequentemente se torna previsível, chegando a momentos que o telespectador pede ‘pra morrer’, a ter que continuar assistindo àquilo.

Particularmente não sou um fã de musicais, mas é preciso que se reconheçam produções que são bem realizadas por assim ter vários aspectos que contribuam para isso, a exemplo da última versão de “Os Miseráveis”, que apesar de ser um musical todo cantado, não perde a essência e mostra outro lado desse gênero. De longe Annie não é um belo representante da categoria, e não tem elementos que justifique um bom desenvolvimento para o filme. Annie traz características muito semelhantes aos filmes da “Sessão da Tarde”, com pouco conteúdo e com finais ‘água com açúcar’, fazendo deste mais um longa a ser esquecido, ou ao menos evitado.

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JORGE FERNANDO

 

Nota: 2/10

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