CRÍTICA: AMOR .COM (2017)

Por Eduardo Tavares

 

A atriz Ísis Valverde volta radiante ao cinema, após Faroeste Cabloco, no papel de Katrína, uma espécie de Kéfera do mundo da moda. Depois de se dizer relutante em fazer comédias no cinema, ela encarna a sua primeira protagonista na telona em um gênero de comédia. Gênero que ela desempenha muito bem visto seu desempenho mais que aplaudido em Avenida Brasil e na nova novela das 9, Força do querer.

No filme ela interpreta uma vlogueira totalmente obcecada na aparência e estilo, que dita as regras do que é “in e out” e da dicas de beleza em seu canal no youtube, mas logo no começo do filme descobre que a fama tem seu preço.
Na inauguração de uma grife, onde ela fora presença vip, em meio a selfies com sub celebridades da internet e videoconferência para seus fans, ela descobre que suas fotos íntimas foram vazadas. Por acaso, no meio de toda aquela futilidade fashion, um nerd reparava danos em um computador. É nesse acaso que ela tem a brilhante idéia de pedir a ajuda do personagem de Gil Coelho. Ele ajuda Katrina a impedir que suas fotos vazem e ela decide recompensá-lo com um encontro. Ambos acabam decidindo ir a uma festa nerd.

@Divulgação Amor.com

A trilha sonora do filme é bem diversificada e trás momentos de nostalgia com canções new wave dos anos 80, na animada e atrapalhada parte em que os personagens estão na festa de cosplay, onde o romance começa nascer.

Embora nas cenas da festa possua um clima mais sombrio, a fotografia em sua maioria reproduz cores claras e alegres que contribuem para criar a atmosfera romântica e feliz do filme.

Em um momento do filme onde os personagens estão se preparando para entrar na festa, Katrina pede para entrar sem estar caracterizada, pois isso poderia render criticas de seus seguidores e causar dano à sua imagem. O amigo de Gil então responde: “É claro, linda desse jeito você poderia entrar até pelada”. Essa parte me pareceu um pouco machista e sem muita graça.

@Divulgação Amor.com

Se o filme cumpre seu papel como Romance, como comédia fica bem difícil. Embora com um time de ótimos atores as vezes o roteiro deixa a  desejar e reproduz muitos estereótipos. Acaba dando a sensação de pouca profundidade na maneira como os personagens são explorados. Mas não é de todo ruim. Embora seja uma das comédias românticas brasileiras menos engraçadas desse ano, tem seus momentos muito fofos e trás um mensagem importante. Tudo que aparenta nem sempre é. O mundo de selfies perfeitas as vezes engana e faz esquecer que a realidade não é assim, mas nem por isso menos interessante. O cotidiano está cheio de vida e a simplicidade trás felicidade. Essa simplicidade, Gil traz para Katrina e ela traz um pouco de estilo a ele, ao longo do filme.

Embora os dois personagens sejam vloguers, e isso seja algo em comum, eles vivem em mundos diferentes. Enquanto Katrina fala sobre moda, Gil fala sobre games. E tudo isso contribui para que um se sinta um pouco peixe fora d’agua enquanto no habitat natural do outro. Como um peixe e um gato que se amam. Pouco provável? Mas e daí?Isso é muito fofo e totalmente romântico, é o ponto alto do filme. Esse amor diferente nos faz torcer por um final feliz para eles.

Dos mesmos produtores de Se eu Fosse Você e Divã, o filme conta com a estréia de Anita Barbosa na direção e muitos rostos conhecidos do público que assiste televisão e internet. É um filme romântico e fofo, que trás o tema do amor e os seus dilemas no mundo contemporâneo, mas ainda com deficiência em entreter o espectador mais exigente.

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