CRÍTICA: ALIEN COVENANT (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Apesar de falhas no roteiro, novo filme da franquia cumpre objetivo”.

 

Há quase 40 anos, estreava “Alien, o Oitavo de Passageiro” (1979) e dava inicio a uma das mais icónicas e bem-sucedidas franquias da ficção-científica. Nele, o diretor Ridley Scott mostrava como fazer um filme com aliens que fosse tenso e assustador numa época que não se podia abusar tanto de efeitos especiais. Com poucos atores e ambientes, o diretor criava uma atmosfera angustiante que rondava em torno de um bicho a solta. E a tensão estava justamente no desconhecido por pouco se saber ou ver o tal Alien do título. A franquia continuou em 1986 com James Cameron na direção entregando um também bem-sucedido, “Aliens, O Resgate” (1986), que injetou mais drama ao conflito da protagonista, novamente vivida com garra e forte presença pela lendária Sigourney Weaver. Depois vieram mais dois, “Aliens 3” (1992) e “Alien – A Ressureição” (1997), com resultados menos dignos. Em 2012, o diretor original da franquia retornou ao gênero da ficção-científica com “Prometheus”, que, apesar de não compartilhar da mesma trama, possuía semelhanças temáticas. O resultado foi um novo sucesso de bilheteria, mas que dividiu os fãs.

Nesse novo filme da franquia, não há ligações diretas com a trama dos filmes protagonizados por Sigourney Weaver. Nesse sentido, pode ser visto como um reboot, pois guarda muita similaridade com a trama do primeiro filme. Ou seja, temos novamente uma equipe de astronautas em missão que descobrem um novo planeta aparentemente ideal para a vida humana. Entre os que se entusiasmam e os que ficam com pé atrás acaba ganhando a ideia de aterrissar no planeta e coletar dados. É nesse planeta que os conflitos vão se instaurar.

© 2017 Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

Diferente dos primeiros filmes da franquia, não há uma predileção constante por ambientes fechados e escuros para dar um tom uniforme de tensão a obra. Aqui há diversos momentos de respiro, com espaço até para humor e reflexões sobre a inteligência artificial. Também não há um protagonismo tão fechado. Pela primeira vez sem a presença de Sigourney Weaver, o roteiro divide a tripulação com importâncias próximas. Por mais que a personagem de Katherine Waterson seja facilmente assimilável a icônica Ripley por ser a mais esperta e que vai contra a maré de otimismo desde o início, ela não chega a ter um papel muito maior que o os outros.

O primeiro ato do filme é muito próximo dos originais; basicamente apresenta os personagens com seus breves conflitos criando uma atmosfera do filme sem pressa. E o segundo ato com a aterrissagem no novo planeta também inicialmente se assemelha consideravelmente, mas no meio do filme ele passa a se afastar dos filmes anteriores da franquia ao cruzar com o universo de “Prometheus”, que acaba tendo mais peso narrativo do que os próprios filmes da franquia “Allien”.

© 2017 Twentieth Century Fox Film Corporation. All Rights Reserved.

Ridley Scott não perdeu a mão para cenas de ação e compõe algumas espectaculares sendo dignas até mesmo dos primeiros filmes. E, com a atual tecnologia, o nascimento dos seres extraterrestres, por exemplo, consegue ser mais explícito e, com isso, mais assustador. Uma sequência, em especial, passada no escuro com focos de luzes estourando ao fundo é especialmente impactante pela tensão que se constrói devido aos contrastes de luzes que deixam o visual, por vezes, embaçado. O uso de câmeras muito próximas aos atores reforça a visão incompleta dos personagens dando um efeito impactante.

Momentos como esses são dignos da franquia e honram o filme, mas o roteiro infelizmente nem sempre percebe isso investindo, por vezes, em discussões sobre diferentes formas de inteligência artificial e em reviravoltas pouco surpreendentes e que nem sempre acrescentam muito. Os embates com os alienígenas são mais impactantes e sufocantes do que os dramas superficiais de alguns personagens e os insistentes elos narrativos com o filme “Prometheus”.


O roteiro também falha em criar personagens marcantes. Por mais competente que sejam os atores, os personagens soam apenas corretos. Nenhum deles cria de fato um forte elo emocional. Isso vindo de uma franquia que ficou conhecida pela força da personagem Ripley causa certo desapontamento. Por outro lado, Scott acerta a mão na direção atualizando o visual e os momentos de tensão, que ao mesmo tempo que bebem da fonte se mostram modernizadas ao usarem algumas possibilidades mais atuais. No fim das contas, o novo longa não chega ao nível dos dois primeiros filmes da franquia, mas se mostra superior aos últimos trabalhos um tanto quanto pífio. Ou seja, nem tanto ao mar, nem tanto a terra.

________________________________________________________________

AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: