CRÍTICA: ALIADOS (2017)

Por Rafael Yagami

Em uma missão para eliminar um embaixador nazista em Casablanca, no Marrocos, os espiões Max Vatan e Marianne Beausejour se apaixonam perdidamente e decidem se casar. Os problemas começam anos depois, com suspeitas sobre uma conexão entre Marianne e os alemães. Intrigado, Max decide investigar o passado da companheira e os dias de felicidade do casal vão por água abaixo.

Robert Zemeckis assume a direção, conhecido pelos clássicos “De volta para o Futuro” e “Forrest Gump” a expectativa era grande pelo seu novo projeto envolvendo Nazistas e a segunda guerra mundial, sendo um dos favoritos para as premiações, porém o resultado final deixa muito a desejar. Começando pela falta de ritmo e inconsistência no tom, não se sabe se é um filme de ação, drama ou romance. O Ritmo também é muito mal dosado, onde pula de cenas extremamente entediantes para outras cativantes logo em seguida, é uma produção de duas horas que passam muito devagar.

Steven Knight aqui como roteirista, foi indicado ao Oscar em 2004 e entrega um material totalmente esquecível aqui. A trama na base é muito interessante, mas na pratica é recheada de diálogos expositivos e óbvios, por exemplo: em uma cena de fuga a câmera mostra que não estão sendo seguidos, mas segundos depois um dos personagens fala “Não estamos sendo seguidos”. Além do grande trufo do filme ser algo extremamente previsível, ou a personagem é uma espiã ou não é, o roteiro não tenta abrir vertentes para esse dilema e nem tenta criar algo que toque o publico, nessa altura do campeonato o espectador já está cansado e totalmente fora do filme.

Marion Cotillard e Brad Pitt não tem química nenhuma em cena e seu romance é tão pouco trabalhado que parece algo fajuto e olha que eles estão em cena quase o filme todo. Marion está aqui muito superior em cena, tem um arco dramático que é elevado graças aos talentos desta atriz extremamente competente que tira leite de pedra. Brad Pitt atua aqui como o Brad Pitt de sempre, carisma e poucas expressões faciais, é um personagem pouco agradável mesmo à produção pintando o tal como um grande herói.

A parte técnica é a melhor coisa da produção, a reconstrução de época é belíssima numa direção de arte muito bem pensada e conivente, a fotografia escura e vintage reforça a ideia de algo velho. Os figurinos são divinos, não é atoa que está indicado ao Oscar, um mais bonito que o outro. A grande cena do filme do ataque ao líder nazista é feita com maestria, bem pensada, coreografada e energética, melhor cena do filme.

Allied no original é um filme um pouco acima da media graças a um elenco bem escalado e esforçado, parte técnica muito agradável e um tema que gera interesse do publico, pode ser considerado um primo feio, pobre e distante de “Bastardos Inglórios”, deve agradar quem se interessa pela segunda guerra, mas não espere grandes reviravoltas ou emoção, aqui está em falta.


RAFAEL YAGAMI

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