Crítica: A Visita (2015)

Por Renato Alves

 

M. Night Shyamalan é apedrejado pelos fãs de cinema e pelos críticos como Judas, pelos cristão, por trair Jesus cristo. Não sou tolo de dizer que ele não teve sua parcela, merecida, de culpa nesse processo de apedrejamento. Entretanto, gostaria de levantar uma pequena reflexão. Quando o mundo foi apresentado a obra-prima “O Sexto Sentido”, 99% do público da sétima arte, seja profissional ou apenas os fã de um bom filme, levaram o diretor a um pedestal único. Ou seja, o fracasso do diretor é culpa de todos nós.
Digo isso, me incluindo nessa questão. Afinal, como num Efeito Borboleta todos somos reflexo da humanidade em que vivemos. Digo isso porque seu trabalho seguinte “Corpo Fechado” fui na estréia, com o coração a mil. Como fã de quadrinhos, digo sinceramente e sem medo errar, gostei mais desse filme do que da obra anterior estrelada pelo garoto que vê gente morta o tempo todo. Porém, sou um caso a parte, nesse contexto.
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No cinema do Shopping Interlagos, o público vaiou muito “Corpo Fechado”. Quase fui apedrejado, pelos amigos, quando disse que tinha apreciado muito ao filme. Todos queriam algo parecido com “O Sexto Sentido”. Mas, será que isso realmente seria possível me pergunto até hoje.
Fiz essa introdução por acreditar que quando Shyamalan fez uma obra que agradou tanta gente e fez sucesso enorme todos imaginaram que ele era um Deus e não um ser humano, que possui acertos (“A Vila” e, talvez, “Sinais”) e erros (todos os outros trabalhos). Além disso, óbvio, que ele possuiu a falha de deixar o sucesso subir a cabeça e desde então tem construído muitos erros em sua carreira.
A verdade é que faz tempo que o diretor indiano não é mais levado a sério. Nem pelo público e muito menos pela crítica. Mas…….assim como na vida real o mundo do cinema sempre traz o dia seguinte.
Em A Visita o diretor demonstra que o talento ainda existe. Basta ele ser direto e não se achar um MITO. Não, ele não é e nem se tornará um MITO como Scorsese ou Spielberg. Porém, isso não é demérito algum. Quando humilde e compacto na arte contar uma boa história Shyamalan exerce o que sabe fazer: Cinema de boa qualidade. Não algo único como seu primeiro trabalho. Porém, ainda assim um belo suspense. Uma obra que merece ser vista pelos fãs do gênero.
Com orçamento modesto o filme tem feito ótimos resultados na bilheteria pelo mundo todo. Na trama somos apresentados a um roteiro de suspense bem construído. Os sustos são bem desenvolvidos e angustiam o expectador. Todos apresentados no momento adequado, sem pressa ou pressão. De forma simples o público vai sendo apresentado a um “documentário” – estilo “A Bruxa de Blair”, câmera apresenta os fatos.
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A fotografia, escura em alguns momentos, leva o público para dentro da obra, ajudando muito na construção de ansiedade do minuto seguinte. A avó é o ponto forte do elenco, demonstrando que nem toda avó é simpática como a Dona Benta.
Esqueça “O Sexto Sentido”, ele não acontecerá mais. Não pelas mãos de Shyamalan. Ele é um bom diretor que comete catástrofes e que, quando está sem o ego alto, pode nos apresentar um ótimo roteiro, com boas surpresas. Tem dias que não queremos uma obra-prima. Desejamos apenas uma boa história e suas angústias. Sejamos netos brasileiros, americanos ou indianos.
Sinopse – Os irmãos adolescentes Becca e Tyler são mandado para a casa dos avós que nunca conheceram porque estes haviam brigado com a mãe dos garotos. Com o desejo de se tornar cineasta Becca aproveita a visita para fazer um vídeo sobre este primeiro encontro com os avôs desconhecidos.
RENATO ALVES
RENATO ALVES

 

Nota: 7/10

3 thoughts on “Crítica: A Visita (2015)

  1. Thiago Freitas, concordo plenamente sobre cada um ter um gosto………..Eu amo Corpo Fechado mais do que O Sexto Sentido. Mas, fiquei na dúvida se gostou do meu comentário ou não. kkk
    Abraços

    Renato Alves

  2. Muitos de seus fãs e uma boa parte do publico gosta de seu trabalho e o leva a serio, nao considera seus filmes erros, como esses pseudocriticos adoram dizer. Sempre por achar que seus gostos e suas opiniões sao sempre certas e validas. Gosto e gosto. Mas pra tudo sempre tem um jeito, como Shyamalan mesmo deu a um critico de cinema um otimo final em a Dama n’agua. E sobre o texto muito ruim inconsitente. Argumentos falhos enfim minha opinião 😀

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