Por Rafael Yagami

Dois irmãos, um ex-presidiário e um pai divorciado com dois filhos, perderam a fazenda da família em West Texas e decidem assaltar um banco como uma chance de se restabelecerem financeiramente. Só que no caminho, a dupla se cruza com um delegado, que tudo fará para capturá-los.

Na direção David Mackenzie entrega algo surpreendente e que ninguém esperava que fosse tão interessante, levando em consideração seus trabalhos anteriores que na maioria são compostos de comedia romântica esquecível. É uma direção sutil, calculada e muito precisa, explorando ao máximo a beleza seca da paisagem desértica, fazendo um paralelo com a situação dos personagens. As sequências dos roubos são convincentes, o diretor não quer aqui fazer algo grandioso, sempre procurando fazer algo mais próximo da realidade e da trama aqui apresentada.

Taylor Sheridan assume o roteiro, o mesmo que nos presenteou com o grandioso “Sicario” e fica clara a mesma pegada, porém a trama aqui foca mais em sentimentos humanos e consequências na vida de pessoas comuns. Os personagens são intensos e decididos, não temos diálogos batidos e nem personagens clichês, além de ser um texto refletivo, também abre dialogo sobre as vitimas do sistema e sobre todos aqueles que se revoltam com a injustiça.

Chris Pine e Ben Foster transmitem muita camaradagem e sintonia juntos, a dificuldade é palpável e o público se sente dentro dessa equipe, ambos merecedores de serem lembrados na temporada de premiações, seu total esquecimento é bem controverso. Jeff Bridges aqui a figura do xerife inteligente e determinado a caçar os irmãos, um desempenho realista e fugindo de comuns estereótipos. Dale Dickey e Katy Mixon aparecem pouco, mas ambas ótimas, basicamente ninguém está ruim aqui.

Hell Or High Water no original, um drama misturando vingança e faroeste pode ser considerado um filme light até para aqueles que não gostam do gênero. No papel parece uma trama batida, porém o dialogo trabalhado aqui e sua mensagem são bem relevante até para os dias de hoje. Indicado ao Oscar de melhor filme merecidamente, é uma aposta certa para refletir e passar o tempo.


RAFAEL YAGAMI

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