CRÍTICA: A GRANDE MURALHA (2017)

Por Guilherme Zirbel

Filmes com batalhas épicas, mocinhos de rostos conhecidos e trailers de tirar o fôlego são muito comuns e tentam atrair um tipo específico de espectador ao cinema: os que consumem ao invés de vivenciar os filmes. Isso, antes de tudo, não é defeito nenhum e todos nós gostamos disso. Mas nem sempre a soma disso tudo é satisfatória. No caso de “A Grande Muralha”, uma produção americana e chinesa, quase tudo está mal das pernas.

Com um orçamento de 150 milhões de dólares, o filme traz a história dos mercenários Willian (Matt Damon) e Tovar (Pedro Pascal), no início dos anos 1000, que estão em busca de pólvora, um artigo muitíssimo valioso na época. Certa noite, são atacados por um monstro desconhecido que, por pouco, não os mata. Quem leva a melhor é a dupla, que por curiosidade, guarda a pata decepada do bicho morto. Logo em seguida, “tropeçam” na Grande Muralha da China e são feitos prisioneiros pela General Lin Mae (Tian King), que coordena as forças táticas e guerrilheiras do monumento.  A partir daí, ideologias distintas são unidas para um bem maior: acabar com a raça das criaturas, uma horda chamada Tao Tei, que é sanguinária, difícil de matar e altamente violenta.

O filme já começa a desandar pela cena de abertura: tijolos de um muro são mostrados e, aos poucos, caem revelando um sol maravilhoso – tudo feito em uma qualidade pavorosa de efeitos especiais. Este erro, inclusive, se repete por inúmeros momentos da trama: falta veracidade às feras assassinas, às batalhas, às paisagens, às construções e cenários… tudo parece falso, com o CGI gritando de tão escancarado.

Os atores tão pouco ajudam. Não é pela birra pessoal que tenho com Matt Damon (num patamar muito próximo ao de Johnny Depp, na minha humilde opinião), mas o nível de atuação do rapaz está equivalente à peruca que ele usa no filme: falsa. Tian King, a General, soa patética em um papel que necessitava de força e ousadia, mas que tem somente preguiça dispensada. Pedro Pascal é o insuportável alívio cômico e traz uma importância à trama tão profunda quanto uma poça d’água. A única ressalva é Willem Dafoe, que interpreta Ballard, um misterioso prisioneiro da Muralha – mas ele parece perdido em cena ao tentar fazer o que pode com um personagem tão mal construído e desnecessário.

Mais: os enxutos (mas infindáveis) 100 minutos de filme são recheados com frases de impacto patéticas, figurinos de quinta categoria e cenas de dar vergonha, como a sequência em que Matt faz uma tirolesa adaptada em uma corrente de metal (!!), ou o momento em que ele luta, sozinho, contra várias criaturas e humilha o exército composto por milhões de soldados. O diretor Zhang Yimou, de “Clã das Adagas Voadoras” (2004), abusa das cenas datadas em slow-motion e aposta em ferramentas totalmente clichés, como o balé de armaduras e arcos (muito melhor performados na trilogia “O Senhor dos Aneis”). Um desastre total.

Em uma assombrosa passagem, Matt Damon se olha em um metal espelhado e fica espantado (ou pensativo) com sua imagem refletida, já cansada e desgastada. Não é para menos: poderia jurar que foi naquele instante que ele se arrependeu de ter topado fazer a bomba que é “A Grande Muralha”.


Guilherme Zirbel

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