Crítica: A grande aposta (2016)

Por João Paulo Rodrigues

 

Nos últimos anos, começamos a ver dentro do cinema as consequências de um tema literalmente delicado que foi a crise econômica de 2008 nos Estados Unidos. E de pouco a pouco começamos a ver filmes sobre o tema que por um lado foram diretos e indiretos. Desde do romântico “Amor Sem Escalas”, o surrealista e às vezes assustador “Cosmópolis” e o desopilante “O Lobo de Wall Street”. Mas a maior surpresa foi quando Adam McKay, criador do Funny and Die e clássicos de comédias como “O Âncora” e “Quase Irmãos” iria fazer um filme de drama sobre a crise imobiliária americana e com um super-elenco como Christian Bale, Steve Carrell, Ryan Gosling (com o visual mais bizarro do ator) e Brad Pitt se transformaria no filme mais preciso sobre o tema e principalmente o que mais tocaria na ferida da história recente americana. E talvez global por um lado.

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A Grande Aposta conta a história de um médico (Bale) que trabalha em uma seguradora que percebe que em um futuro próximo o mercado imobiliário iria cair e começou a jogar contra o mercado. Alguns banqueiros (Carrell e Gosling) percebem que algo está muito errado com essa jogada e começam a investigar e o resultado se transforma em um efeito dominó com grandes consequências. Ao paralelo a isso, dois jovens investidores que querem entrar nas grandes ligas pedem ajuda a um excêntrico corretor (Pitt) para conseguir um lugar ao sol mas assim também cultivaram o apocalipse bancário.

Para aqueles que conhecem o trabalho de Adam Mckay, ver A Grande Aposta é a prova da sua polidez como cineasta. Uma das maiores características que principalmente em seus filmes foi de trabalhar arcos dramáticos ou sérios por assim dizer porém com o jeitão escrachado. Aqui, o diretor assume essa forma de uma maneira que por um lado, o sorriso pelas ironias do personagem de Gosling ao final da trama se transformam em um sorriso culpável. Outra decisão genial do próprio McKay é que sabemos que estão lidando com inúmeros termos financeiros, eles chamaram personalidades variadas para explicar de uma forma essencialmente simples e até mais genial do que se imagina.

No fundo, não será surpreendente o filme ganhar alguma premiação em relação a elenco. Um dos mais afiados e dinâmicos dessas premiações. Christian Bale mais uma vez demonstra por que é um dos melhores atores de Hollywood. Todas suas cenas são um prazer de se assistir e principalmente quando as musicas de fundo são do grupo Metallica. Steve Carrell literalmente brilha com seu personagem. Sua integração com o resto do elenco, se nota em seus olhares e em suas palavras o quanto todo esse universo consome ao ponto de sentir seu ponto de equilíbrio ruir.

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A Grande Aposta é um maravilhoso salto de Adam ao cinema dramático, mas ao invés de ser um filme que força o seu choro, lhe trai alguns sorrisos para depois fazer o mesmo perceber que assim como foi a crise econômica, aquele sorriso soberbo que nunca vai passar nada. Um sorriso amarelo que tenta dizer para si mesmo que não é possível acontecer. O grande elenco é o seu forte, o avanço do diretor de comedia para um projeto acido e cruel é uma delicia para os olhos. Entretanto, é transformar a economia em um personagem a mais. Um personagem que faz acreditar a muitos que nada existiu e principalmente desafiar os desventurados ao ponto saber que todos irão perder, não tem preço.

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JOÃO PAULO

 
Nota:10/10

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