CRÍTICA: A FILHA (2017)

Por Eduardo Pepe

 

“Ótimos atores dão densidade a drama familiar australiano”.

O diretor Simon Stone em sua estreia em longa-metragem realiza um competente drama familiar com os ingredientes que o gênero pede – ou seja, dramas regados a mentiras, segredos, traições, amores interrompidos e corrupção. Esses conflitos surgem em torno de dois núcleos familiares. Um deles é a família rica liderada pelo personagem de Geoffrey Rush, que está prestes a se casar novamente. Isso traz a volta de seu filho interpretado por Ewen Leslie, que vive afastado da família e fora do país há alguns anos. Ele, ao retornar, passar a conviver novamente com seu melhor amigo de juventude, interpretado por Nicholas Hope, que vive de forma mais humilde e agora trabalha justamente para o pai desse seu amigo. Além disso, ele é casado com a personagem de Miranda Otto e tem com ela a filha referida no título do filme (papel da jovem Odessa Young). É no entrelaçamento dessas duas famílias que os conflitos vão aflorar e se desenvolver em um efeito dominó.

O diretor opta por manter um clima frio para ressaltar a melancolia dos personagens, que vão pouco a pouco se entrelaçando nos conflitos uns dos outros. É o clássico efeito dominó de um acontecimento repentino interferir na reação do personagem que vai gerando um problema atrás do outro. Enquanto trama, o filme não chega a surpreender, mas isso é minimizado pela condução narrativa coerente e, sobretudo, pelo impecável elenco.

O grande Geoffrey Rush é presença de luxo como o patriarca que quer refazer a sua vida casando novamente e ele imprime sua habitual forte presença e expressividade, mas são os atores menos famosos que acabam deixando as melhores impressões. Ewen Leslie e Nicholas Hope como os melhores amigos que se reencontram são intensos e extremamente convincentes tanto nas cenas de dor quanto de alegria. Miranda Otto, mesmo num papel menor, tem momentos muito fortes e a jovem Odessa Young é uma autêntica revelação no papel título que – aos poucos, acaba mostrando o motivo de sua personagem dar nome do filme.

São eles, além de Anna Torv e Sam Neill em papéis menores, que dão o verdadeiro tom do filme dando lhe a autenticidade que o roteiro nem sempre consegue passar, devido, sobretudo, a sua trama pouco inventiva. O diretor tem o mérito de conseguir aproveitar bem todos os seus atores e formular belas cenas envoltas de uma fotografia bonita, mas o que torna a experiência de fato válida são mesmo os atores.

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AUTOR DO TEXTO:

EDUARDO PEPE

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