CRÍTICA: A CRIADA (2017)

Por Rafael Yagami

5estrelas1Coreia do Sul, anos 1930. Durante a ocupação japonesa, a jovem Sookee é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, Hideko, que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Só que Sookee guarda um segredo: ela e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Tudo corre bem com o plano, até que Sookee aos poucos começa a compreender as motivações de Hideko.

Park Chan-Wook, conhecido por dirigir o mundialmente conhecido “Oldboy” comanda mais um espetáculo aqui, além de ter total domínio em mãos, ainda consegue criar e criar novas formas de manipular o público a todo o momento. Não é um filme difícil de entender, apenas um filme que está sempre à frente do seu espectador, mesmo sendo uma produção longa o ritmo é tão bem dosado e pensando que o espectador mal nota o tempo passar.

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Tecnicamente é um filme extraordinário e se houvesse justiça no mundo estaria indicado a muitos prêmios, fotografia lindíssima que ressalta ainda mais essa atmosfera intrigante, figurino belíssimo e a direção de arte é um espetáculo a parte, a mistura de Inglaterra com Coreia do Sul e Japão é perfeita e um deleite para os olhos.

O roteiro que foi escrito pelo próprio diretor baseado num livro inglês, é extremamente bem escrito e bem dosado, nada aqui fica jogado atoa e as reviravoltas são todas chocantes e extremamente impactantes. Os personagens são misteriosos, mentirosos e manipuladores, cheios de camadas, tudo muito bem pensado.

jokim08 source: Shaw Organisation caption: Stills from the film Handmaiden featuring actress Kim Tae-ri##########jopicks15hand##########SHAW ORGANISATION

No elenco começando por Kim Min-Hee, atriz sul-coreana e camaleão nas horas vagas, um espetáculo seu trabalho aqui entregue, tem um olhar misterioso e penetrante, impossível desconfiar dessa mulher em cena. Kim Tae-Ri mesmo sendo uma personagem que começa muito parada, ganha vida junto com o filme e entrega ótimos momentos. Ha Jung-Woo o melhor personagem masculino em cena, além de ser escroto e odioso, entrega um personagem muito fácil de se odiar, um desempenho exemplar. Cho Jin-Woong é o personagem mais esquisito da produção e não conseguimos tirar os olhos dele em nenhum momento.

Ah-ga-ssi no original é uma das joias raras do cinema atual, já nasceu clássico, não é um filme para todo mundo e principalmente só deve ser visto por pessoas maiores de idade. Uma pena não ter sido o candidato oficial da Coreia no Oscar, mas não vão ser prêmios que irão dizer que esse filme é incrível, basta apenas alguém assistir.


RAFAEL YAGAMI
RAFAEL YAGAMI

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