CRÍTICA: A CABANA (2017)

Por Rafael Yagami

Um homem vive atormentado após perder a sua filha mais nova, cujo corpo nunca foi encontrado, mas sinais de que ela teria sido violentada e assassinada são encontrados em uma cabana nas montanhas. Anos depois da tragédia, ele recebe um chamado misterioso para retornar a esse local, onde ele vai receber uma lição de vida.

A direção de Stuart Hazeldine infelizmente é uma das poucas coisas competentes da produção, tem uma visão interessante sobre a interação humana com o divino, são takes longos que apesar dos problemas com o roteiro, não são chatos. Visualmente é belíssimo usando e abusando da beleza da natureza ampliada, destaque para a sequencia de noite, a fotografia florescente lembra muito “Avatar” e dá um toque a mais na produção. O ritmo do filme sofre um pouco no terceiro ato, são 130 minutos de produção que poderiam ter sido enxugados.

O roteiro de John Fusco e Destin Cretton baseado no livro sucesso de vendas escrito por William P. Young, vai agradar os amantes do material original. É um fato que o texto nunca teve muito aprofundamento, no filme temos uma trama que na teoricamente se justifica, mas na prática deixa muito a desejar. Não temos aqui um grande embate, as conversas e questionamentos são recheados de eufemismos e ”histórias para boi dormi”. São levantadas perguntas importantes que qualquer pessoa faria se estivesse com Deus a sua frente; mas as respostas aqui recebidas não passam de dogmas religiosos.

Sam Worthington, aqui o protagonista entrega um trabalho apático e totalmente mal escalado, é o ator errado para este personagem. Não transmite triste e nem passa carga dramática, teoricamente era para chorar o filme todo, mas o ator se mostra um fracasso nessa função, tanto que a produção o mostra de costas toda a vez que lágrimas deveriam para cair dos seus olhos, chega a ser vergonhoso. A ganhadora do Oscar Octavia Spencer é a melhor coisa do filme, transmite amor e com seu contagiante sorriso encanta o público nos poucos momentos onde aparece em cena.  O resto do elenco fica bem abaixo da média, desde mal escalados até falta do que fazer em cena, um roteiro que parece não valorizar ninguém.

É um filme polêmico que vai dividir pontos de vistas e opiniões. A adaptação em questão de fidelidade está forte e quase nada foi deixado para trás, mas ninguém é obrigado a ler o livro antes de assistir ao filme; como produção cinematográfica apenas entrega com competência sua parte técnica. Seu texto bobo e pretensioso vai encantar alguns e entediar a muitos.


RAFAEL YAGAMI

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