CORRA “UMA SÁTIRA CUIDADOSA QUE JUNTA VÁRIOS GÊNEROS”

Por Geofry Hanney

 Corra! já completou mais de um ano em que foi lançado e desde então começou a circular como um novo e forte filme de terror candidato ao Oscar. É o primeiro filme escrito e dirigido pelo comediante Jordan Peele, que já no seu primeiro trabalho, demonstra uma grande fluidez de direção, combinando terror e ficção científica com comédia, na qual transbordam o filme para um patamar de resultados, dando um novo gás para um dos temas mais aproveitados na indústria: o racimo.

 O filme conta a história de Chris (Daniel Kaluuya), um jovem negro que está prestes a conhecer a família de sua namorada caucasiana Rose (Allison Williams). A princípio, ele acredita que o comportamento excessivamente amoroso por parte da família dela é uma tentativa de lidar com o relacionamento de Rose com um rapaz negro, mas com o tempo, Chris percebe que a família esconde algo muito mais perturbador.

@Divulgação Universal Pictures

 A direção de Peele conta com certas alegorias que se encaixam desde o sutil dissimulado a uma forte carga de intensidade dramática, no qual são fundamentais para o desfecho da trama, que tem como objetivo principal fazer uma forte crítica social, no entanto satirizada, ao racismo, de modo com que o “paternalismo branco” vire o motim central da história.

A ideia do roteiro partiu de um stand up de Eddie Murphy que contava a história de como foi conhecer os pais brancos de sua namorada (uma premissa que talvez lembre muito “Adivinhe Quem Vem Para Jantar”) na qual Jordan Peele assistiu e acabou mergulhando de cabeça. Mas se o roteiro tivesse que ser distinguido por apenas uma palavra, talvez “incomum” fosse a mais apropriada. Suas várias analogias refletem em uma catástase de sensações que acabam enquadrando o desenrolar da história como algo forte, perturbador e repulsivo.

O Daniel Kaluuya, que até então era mais conhecido pela série Black Mirror, faz um trabalho incrível na maneira em como ele demonstra está manifestando todas essas sensações. O que ele faz com os olhos é algo que precisa ser sentido pelo público, mas ao mesmo tempo apreciado. Embora o elenco tenha a maioria dos seus rostos desconhecidos, não se engane. Ele é muito bem escalado.

@Divulgação Universal Pictures

Os rostos mais familiares são Allison Williams, mais conhecida na televisão, tornando Corra! sua estreia no cinema, Catherine Keener que talvez seja a mais conhecida (duas vezes indicada ao Oscar) e Bradley Whitford (vários trabalhos na televisão). No entanto, a grande revelação coadjuvante se torna Betty Gabriel, interpretando uma empregada incrivelmente hipnotizante, roubando todas as cenas em que aparece.

Corra! é um filme forte, intrigante e que tem muito a dizer devido a sua crítica social vestida por uma sátira que pode funcionar muito bem quando unida com cuidado a um tema forte como o racismo. Uma das maiores surpresas do ano.

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