CONTUNDENTE “DEDO NA FERIDA” QUEBRA A LÓGICA QUE O MUNDO VIVE EM UM REGIME DEMOCRÁTICO

A desigualdade social em pauta: “Dedo na Ferida”

Depois alguns projetos dedicados a televisão ou diretamente para internet, o documentarista Silvio Tendler volta aos cinemas com “Dedo na Ferida”, seu melhor filme desde “Milton Santos: A Globalização vista do Lado de Cá” (2006). Político e afiado como de costume, o documentário chega em momento oportuno ao abordar assuntos diretamente ligados a crise que o Brasil enfrenta.

Através de depoimentos de pensadores respeitados e economistas que estão ou estiveram cargos importantes ao redor do mundo, o filme traça um panorama do sistema financeiro na atualidade. E nessa análise basicamente mostra de que forma o sistema baseado em bancos e especulação atrapalha o progresso social e em última instância até mesmo a aplicação da democracia.

Gráfico ilustrativo mostra a dominação dos bancos em “Dedo na Ferida”

Entre os entrevistados, se destacam Yanis Varoufakis, ex-ministro das Finanças da Grécia, Paulo Nogueira Batista Jr, ex-vice-presidente do banco dos BRICS, a economista Laura Carvalho e o cineasta Costa-Gravas. O eclético e respeitado conjunto de entrevistados mostram de diferentes ângulos o sufocamento da lógica política atual que está resultando no que se vê atualmente, como o crescimento mundial do desemprego, o empobrecimento da população mais pobre e da classe média e o crescimento de posicionamentos extremistas tendendo ao conservadorismo.

Criando o elo com o espectador e com a vida cotidiana, está a rotina de um podólogo carioca que leva uma hora e meia para chegar ao trabalho. Acompanhamos seus pensamentos e cotidiano em seu trajeto ilustrando as deficiências do estado explicadas pelos outros entrevistados. O mais chocante, no fim das contas, é como o longa mostra que em sua maioria os atos nitidamente antiéticos são operados dentro da lei e abastecimentos com dinheiro público. Os governos em geral colaboram com os grandes bancos e muitos ficam de mãos atados impossibilitados de reagir. Os banqueiros acabam sendo os únicos a lucrar verdadeiramente com a crise e a população segue desamparada. Projetos como esse são importantes para jogar luz sobre o debate de que tipo de sistema estamos vivendo e qual gostaríamos de ter.

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