Constantine

Por Renato Alves

 

Aprendi uma coisa durante o meu estudo sobre cinema e seu público (exigente, diga-se de passagem): Algumas vezes, as pessoas não estão preparadas para a produção (filme ou série) quando esses são lançados antes do tempo adequado ou esperado. Foi assim com “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, “Blade Runer” e “Twin Peaks”, só para citar alguns exemplos que lembro rapidamente. Das obras recentes gostaria de citar uma que fracassou, a meu ver, por que a maior parte do público ainda não está preparada. Consequentemente não gerou a audiência sonhada pela emissora (que tem culpa no cartório no processo) e, consequentemente, morreu na primeira temporada. Uma tragédia CONSTANTINE ter morrido logo na largada.
Constantine
Diferente do longa-metragem, de 2005 e estrelado por Keanu Reeves, a série se mostrou mais fiel ao HQ e merecia mais sucesso. Profundo na mitologia, no sobrenatural e na escolha do protagonista a trama da televisão, realizada pela NBC, precisaria de poucos ajustes para fazer um sucesso maior. As direções de arte dos episódios foram muito bons. Os episódios eram bem construídos e ao não se conectarem totalmente era outro atrativo para a série. As trilhas sonoras, estupendas. Ou seja, os acertos, a meu ver, foram muito maiores que os defeitos.
Porém, nem tudo foram elogios para a versão da tv. Um elemento fundamental do personagem do selo Vertigo foi colocado de lado por proibição da emissora, que estava preocupada com restrições internas: apresentar o personagem Constantine sem fumar é como apresentar o Batman, sem o cinto de utilidades ou o Superman com o famoso S no peito. Parece pouco, para quem não conhece o personagem, entretanto, são nos detalhes que se vence ou se perde uma batalha. O cancelamento de “CONSTANTINE” demonstra qual lado da batalha se sobressaiu.
A Netflix, para dar outro exemplo, ao adaptar “Demolidor” se preocupou nos detalhes e o resultado foi a série de maior impacto em 2015. Um pecado que a NBC não tenha tido essa leitura e enterrou um projeto que tudo tinha tudo para explodir, se fosse devidamente adaptado.

CONSTANTINE -- "Danse Vaudou" Episode 106 -- Pictured: Matt Ryan as John Constantine -- (Photo by: Tina Rowden/NBC)

Para finalizar minha análise peço um único favor aos produtores de filmes ou séries de HQs. Quando forem realizar alguma adpatação contratem alguém que já tenha lido HQ para produzir os roteiros e a caracterização geral da obra. IMPLORO. Além disso, peço que se atentem aos detalhes ou pode sair um novo fracasso como “Quarteto Fantástico” – o pior filme da história do HQ. E olha que a briga é boa por esse título: Batman & Robin, Superman – Returns”, “Quarteto Fantástico”, versão proibida da década de 80, entre tantos outros.
Vamos bater palmas para a Netflix, visto que em suas adaptações eles estão se preocupado com o contexto e com o público, principalmente o que nasce do HQ.
RENATO ALVES
RENATO ALVES

4 thoughts on “Constantine

  1. Leio as HQs do personagem e achei que a série realmente deixou a desejar. Uma pena que desperdiçaram uma chance tão boa. Ainda bem que Demolidor aproveitou e faz um belo trabalho.

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