CONEXÃO ESCOBAR (2016): DE CAÇADO A CAÇADOR

Por João Paulo Rodrigues da Silva

Faz alguns anos que explodiu em alguns países latino-americanos os chamados Narco-Series, desde novelas colombianas como Escobar, El Patrón del Mal e El Capo que conseguiram transformar a questão da guerra das drogas como ponto de partida para narrar uma história e também novelas mexicanas como El Señor de Los Cielos e La Reina del Sur. Essa ultima conseguiu o feito de remake americano estrelado por Alice Braga que recém estreou na tv a cabo brasileira. Entretanto quando saiu Narcos, a série da Netflix sobre o tema, o destaque não era sobre a vida de Pablo Escobar e a explosão da cocaína, mas de como isso teve de impacto na sociedade americana. E o filme Conexão Escobar também trata dessa mesma vertente, a expansão da guerra nos olhos de um agente.

Nos anos 80, começou uma massiva campanha contra as drogas atrelado a politica preventiva de Reagan. E nos meados dos 80 explodiu de uma maneira descomunal tanto o consumo quanto o trafico. O agente federal Robert Mazur percebendo que a guerra contra as drogas não vai adiantar com mais corpos nas ruas tem uma brilhante ideia: por ser contador, por que não seguir a rota do dinheiro. Com isso, ele consegue se infiltrar dentro de um esquema de lavagem de dinheiro de drogas com um proposito: desmantelar economicamente o cartel e buscar o principal alvo: el patrón Pablo Escobar.

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O filme de Brad Furman (O Poder e A Lei) faz algo arriscado e talvez transforma a fita em uma experiência bem interessante: transformar a figura de Pablo Escobar em onipresente. Mesmo em nenhum momento aparecer em cena, o espectador consegue compreender bem toda a operação que tinha seu cartel nessa época. Desde da parte econômica e também a parte violenta. Mas por outro lado, trabalha um pouco superficialmente a dualidade da sociedade americana de querer cobrar um país sem a droga e que consumia desenfreada essa mesma droga.

O roteiro de Ellie Brown Furman trabalha não somente nesse ambiente criminal, mas também de como esse trabalho estava afetando psicologicamente os envolvidos. A transformação e o grau de envolvimento seriam jogados em vão se não fosse as incríveis atuações de Bryan Cranston, Diane Kruger e John Leguizamo. Cranston que consegue se afastar de Walter White em cada filme que faz, aqui não decepciona. Mais um grande personagem desse ator e mais ainda, dono de uma das cenas mais tensas de toda a trama. E fechando a parte do elenco, também brilham Benjamin Bratt e Elena Anaya como um casal importante para o cartel de Escobar.

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A direção de Brad Furman é bem interessante. No inicio se demonstra lenta mas assim como seus personagens, cresce de uma maneira exponencial que a cada ato seja tomado com cuidado. Apesar de não ter cenas de ação como tem nesse tipo de projeto, a criação de tensão é de uma maneira tão absurda que a cada passo em falso, se cria uma tensão além do normal. O único defeito visível do filme é o uso questionável dos efeitos visuais. Em algumas cenas se nota o uso do green screen de uma maneira até que tenebrosa, mas por um lado se entende a dificuldade de recriar de tomas dos prédios naquela época.

Tirando pequenos detalhes, Conexão Escobar é um solido suspense sobre essa era turbulenta que foi o estopim da guerra das drogas e ao mesmo tempo de como essa guerra desgastante mudou a vida daqueles que combateram a mesma. Com brilhantes atuações e uma direção que toma tempo a encontrar seu rumo, o filme é uma grande oportunidade e não somente debater sobre a questão da guerra das drogas, mas também tentar criar novas soluções sobre o tema.


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Nota: 8/10

João Paulo

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