“ALADDIN”: COMBINANDO A EXUBERÂNCIA DA BROADWAY COM O ENCANTO DA DISNEY, LIVE-ACTION É UM ACERTO PARA O ESTÚDIO

POR EDUARDO PEPE

Em pleno 2019, não é mais novidade para ninguém que uma das formas mais lucrativas no cinema americano atual é se apostar em filmar com atores, os chamados live-action, histórias de animações clássicas da Disney.  Os resultados têm sido irregulares, mas com alguns acertos, como “Moglin, o Menino Lobo” (2016). Há todo tipo de abordagem, desde revisitações idênticas, mudanças para um estilo mais adulto até outros que mudam consideravelmente o rumo da história, como foi “Malévola” (2014), que ganhará uma sequência esse ano. Depois de uma aventura menos bem-sucedida, “Dumbo”, que estreou no inicio do ano com críticas medianas e arrecadação abaixo do esperado, a Disney agora volta apostando em “Aladdin”, que vinha sendo visto com desconfiança desde o inicio. Primeiro na escalação do elenco, depois no primeiro teaser que revelou o visual de Will Smith como o gênio e virou meme na internet. Entretanto, o resultado é dos mais satisfatórios e, por isso mesmo, surpreendente.

 

@DISTRIBUIÇÃO DISNEY / BUENA VISTA

Estruturalmente, a história se mantém. Aladdin (Mena Massoud), um trombadinha que vive de pequenos furtos, se apaixona pela princesa Jasmine (Naomi Scott), que vive aprisionada em seu castelo por seu pai que teme por sua segurança.  Incentivado por Jafar (Marwan Kenzari), auxiliar do sultão da cidade, ele acaba libertando o gênio da lâmpada (Will Smith) que lhe possibilita três desejos, mas como sabemos Jafar está atrás dele (e da lâmpada) e conseguir o que realmente se deseja é mais difícil do que parece.

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Um dos grandes acertos do filme é conseguir manter o espírito da história em uma nova roupagem. A exuberância e criatividade visual é notável na construção do visual, seja dos cenários, do figurino seja dos personagens animados. Tudo é extremamente rico e harmônico e soa completamente cabível dentro do universo, ou seja, funciona enquanto filme. Nada soa desconexo para o formato filmado. Outro ponto forte é o elenco, todos muito bem em seus papéis. Não só o casal principal é convincente e simpático, como todos os coadjuvantes são divertidos e muito bem aproveitados. Vale dar todo o destaque a Will Smith, absolutamente simpático e dominando o filme como um timming cômico impecável. Havia muita expectativa se ele conseguiria honrar o papel que na animação foi um trabalho excepcional e marcante de Robbie Williams. Pois bem, aquele estranhamento com seu visual não dura nem uma cena inteira. Inclusive seu visual é usado como motivo de piada no próprio filme. Um acerto valioso para o ator, que vinha nos últimos anos de trabalhos que não souberam explorar plenamente seu talento.

O talento do diretor Guy Ritchie deve ser destacado por conseguir equilibrar com maestria todo o espetáculo. O desafio aqui que ele realiza com maestria é: manter a energia e o encantamento do original atualizando para os novos tempos de forma que combine com um aspecto musical teatral. A versão da Broadway certamente inspirou essa nova adaptação tanto quanto a animação original. Os fãs podem respirar aliviados porque as músicas da animação se fazem presente e rendem alguns dos melhores momentos, como nas sequências arrebatadoras de “Friend Like Me” e “A Whole New World”, músicas que alguns podem até não lembrar de nome, mas certamente quando toca se recorda.

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Por fim, crédito total ao roteiro que consegue manter a essencial atualizando com ótimas novas sacadas de humor, que resgatam o espírito do genuíno humor ingênuo, que recentemente foi visto no ótimo “Shazam”, e encaixa uma discussão do papel da mulher na sociedade de forma inteligente.  A aventura só não é impecável, porque em sua parte final, quando a história já está se encaminhando para, de fato, resolver seus conflitos e tudo fica bastante sério, o encanto do filme diminui, sobretudo, por serem reviravoltas já conhecidas, mas nada que prejudique o conjunto da obra. O saldo é realmente positivo e entre os acertos da Disney.

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