CAVERNA DOS SONHOS ESQUECIDOS

Por Tom C.P.

Em 1994, um grupo de pessoas descobriu uma caverna escondida no sul da França que ficaria conhecida como a caverna de Chauvet. O que o grupo não sabia era que a descoberta era muito mais do que apenas uma caverna para explorar, mas representava também uma verdadeira cápsula do tempo, formada há mais de 30 mil anos, para ser aberta e interpretada pelo homem hoje. Por entre estalactites e estalagmites, Chauvet possui uma enorme quantidade de pinturas rupestres marcadas em suas paredes, e não é só isso que chama a atenção lá. Objetos, fósseis e até altares e pedras de carvão registram ali atividades de um homem pré-histórico que, devido um terremoto que fechou a entrada principal da caverna, parou no tempo e foi preservado para que o futuro se encontrasse com o passado.

A caverna esteve aberta para visitação por um tempo, contudo, o hálito dos turistas começou a causar mofo em suas paredes, o que a fez ser fechada permanentemente para sua preservação. As únicas pessoas autorizadas a entrar ali, desde o então, são alguns cientistas e arqueólogos. Uma réplica minunciosamente idêntica da caverna foi construída para que os turistas visitassem, contudo, o visionário cineasta alemão Werner Herzog teve permissão de não só visitar Chauvet, como também filmar seu interior com uma equipe reduzida e mostrar para o mundo esse verdadeiro tesouro da raça humana.

 

 

Herzog nunca tinha filmado em 3D e em uma sacada incrível, ele decidiu filmar toda sua visitação à caverna com câmeras que captam na terceira dimensão. O resultado é fantástico, sendo um raro momento em que o uso do 3D é justificado. A trilha sonora é orquestrada de maneira certeira! Ela intensifica a claustrofobia nas cenas necessárias, maravilha o público diante de cenas arrepiantes e remonta um passado especulativo através de flautas usadas naquela época. O trabalho de edição também é fantástico e joga o espectador, com a ajuda do 3D, dentro da caverna, que parece muito maior com a colagem de imagens feita impecavelmente.

 

A Caverna dos Sonhos Esquecidos tem relação com a indagação feita pelos arqueólogos e cientistas. O que sonhava o homem pré-histórico? Infelizmente, por causa desse abismo de espaço entre o passado e o presente cabe ao homem interpretar e imaginar com base no que foi preservado pela caverna o que houve ali. Tudo são hipóteses esquecidas e guardadas por Chauvet.

Desenhos em uma das paredes da caverna. À esquerda, um impressionante desenho dando a entender o movimento do animal.

Os desenhos de mamutes, bisões, leões, tigres e até mesmo de um ser humano (alguns parecendo frescos, preservados pelos cristais da caverna) representam um legado da humanidade. Mais que isso, é um verdadeiro livro de história, pois pode-se enxergar ali até mesmo animais extintos que não se tinha registros de como eles eram fisicamente. Portanto, essa descoberta é uma forma de entender o passado e é de um significado inestimado para a arqueologia. Olhar para aqueles desenhos nas paredes é perceber que aquilo tudo faz parte de nós, é entrar em sintonia com o espírito do homem pré-histórico dentro de cada um de nós, pois somos seu descendente e a caverna a nossa herança.

Obs: O filme encontra-se disponível na Netflix.

Cave of Forgotten Dreams

(Canadá, EUA, França, Alemanha, UK – 2010)

 


 

Tom C.P.

 

 

Nota: 9,5/10

 

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