CAÇADORES DE NOSTALGIA

Por João Paulo Rodrigues

Hoje, deveriam colocar na cabeça que a partir do momento que existe a questão das vacas sagradas no cinema, existirá a revolta de muitos cinéfilos que tem quando Hollywood toca em uma memoria afetiva do mesmo. Mas hoje, se torna mais confortável para debater quando trocamos a terminologia “vaca sagrada” para filmes atemporais. Explico o motivo disso: quando se critica uma recriação de uma “vaca sagrada”, existe uma traição do mesmo por que ao invés de criticar o filme como deve ser, sempre vão rebater o lado mais “pessoal”.

Com isso em conta, se torna até adequado comentar com mais tranquilidade sobre o remake de Caçadores de Emoção. O remake que estreou final do ano passado em Estados Unidos e algumas semanas depois no mercado mundial é uma releitura direta do filme dos anos 90 que estabeleceram o nome de Keanu Reeves e Kathyrn Bigelow em Hollywood. A trama é básica: um policial do FBI que se infiltra em uma organização criminosa. Entretanto, todos os crimes tem características de esportes radicais. Nesse cenário, Johnny Utah, um ex-celebridade de Youtube de esportes radicais que após a morte de um companheiro, ele se junta a força policial. Ao perceber o que está acontecendo, se torna voluntário para deter esses crimes.

Point-Break

Interessante que a obra Caçadores de Emoção já tinha ganhado sem querer um remake involuntário que hoje é nada mais de uma das maiores franquias de ação da atualidade que é Velozes e Furiosos. Além disso, era um filme de ação realmente focado no trabalho de dubles ao lado de satisfazer uma parcela que gosta de esportes radicais. Entretanto o novo filme parecia mais aquele tipo de projeto que tem como público alvo, amantes de esportes que ficam vendo vídeos no Youtube. Nas cenas de esportes radicais do filme são literalmente calcadas para dizer “uau, viu isso, que show de bola”. Ao menos o filme tenta respeitar isso tentando criar no mais possível da realidade, ou seja, cenas de dubles mesmo com algumas feitas em computação gráfica.

Apesar de ser um incrível filmeco, assistir nos dias de hoje no qual estamos testemunhando novas releituras é uma porta para um debate ainda maior entre o espectador. Ver esse filme nos mesmos dias que saiu o trailer de As Caças Fantasmas foi o ponta pé inicial para questionar o fundamental: o passado está cegando todos para um futuro? Vamos ser claros: negativar o trailer por causa disso é uma das coisas mais absurdas do mundo (nem vamos falar de xingar o trailer por só ter mulheres por que … sem comentários).

Antes de qualquer releitura, deveríamos pensar: o filme em si originalmente é ainda relevante até hoje? Se torna um pouco justificável a questão de remakes de filmes estrangeiros ao mercado mais abrangente, entretanto com a tecnologia de hoje e principalmente, o fácil acesso ao filme original dependendo da situação. Claro que se teve alguns projetos interessantes e importantes como Os Infiltrados, 12 Macacos e True Lies.

POINT BREAK

Também já aconteceu de filmes que já tiveram não somente um mais vários remakes em outros países. Exemplos interessantes foram com os filmes argentinos Um Namorado Para Minha Esposa e Coração de Leon. Os dois filmes conseguiram atingir um mercado interessante fora do país de origem: o primeiro caso foi desde México até ao oriente e o segundo caso, além de ter um remake colombiano também ganhará sua adaptação ao mercado francês.

Claro que em questão de meses, ninguém lembrará o remake falido de Caçadores de Emoção. Mas ao mesmo tempo, não podemos esquecer que tivemos dentro do cinema remakes maravilhosos como O Enigma do Outro Mundo, A Mosca, Fogo Contra Fogo e Ben Hur. Talvez, se um dia o cinéfilo conseguir desligar a nostalgia para criticar e começar a compreender a questão atemporal, o cinema será um lugar melhor para debater.


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João Paulo Rodrigues

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