BRIGHT (2017): “POSSUI OUSADIA, MAS NEM TUDO FUNCIONA COMO DEVERIA SER”

Por João Paulo

 

 

A sensação quando se termina Bright é daqueles filmes que conseguem trazer uma perspectiva diferenciada ao cinema pipocão. De um filme que não tem medo de experimentar novos territórios, estrear em uma cadeia de streaming popular fazendo que todos possam ver no conforto de sua casa e principalmente sair de um marasmo de falta de originalidade que existe no cinemão americano no qual está vivendo às custas de adaptações e continuações. Mas como sensações podem nos enganar, ao refletir de verdade Bright são ideias que são melhores em outras mídias.

Escrita por Max Landis e dirigida por David Ayer, Bright traz um conceito bem ousado: em uma realidade alternativa, as criaturas mágicas vivem entre os humanos. Em uma caótica Los Angeles, o elfos vivem na parte rica da cidade representando a elite da cidade, enquanto os humanos vivem como a classe média (tanto alta quanto baixa) e os orcs são os marginalizados dessa sociedade, que ainda vivem suas respectivas leis.

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Para alguns poderia ser uma interessante perspectiva de estudo de classes já que em outras obras de fantasia, por muitas vezes os elfos são considerados marginalizados da sociedade, os orcs são os vilões e principalmente os humanos são os salvadores e principalmente os paladinos da justiça e da moral. E até nisso Bright faz a questão de quebrar esse paradigma na construção e até por um lado na sua história. Entretanto o porém quando bate é cruel.

A começar pelo plot da trama: Ward e Jacoby são dois policiais rasos de LA. Ward volta após ser baleado por um orc e por muitas vezes culpa o parceiro por não estar no momento. Enquanto os companheiros de Ward querem destituir o orc por causa do incidente passado, o orc Jacoby sofre preconceito tanto da polícia quanto da sua raça por não ser um sangue puro.

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Após uma chamada de emergência, os dois policiais descobrem uma casa que foi atacado por um grupo radical mágico. E quando chegam por lá descobrem não somente uma varinha mágica que na palavra de muitos “uma bomba nuclear que concede desejos” e também uma elfa que é uma bright, um ser que pode utilizar a varinha mágica. Após o encontro, tanto Ward quanto Jacoby vão fugir de todos os perigos que encontrarão na noite além de conhecerem mais de si mesmos.

A direção de David Ayer é bastante interessante. Mesmo com o fator fantasia que a trama tem, ele mantém o estilo que marcou em filmes como End of Watch e Sabotagem entretanto, os erros de Esquadrão Suicida pesaram a mão e em muitas vezes se percebe que ele tem problemas de conexão entre o que acontece entre o espectador e os personagens da trama já que em momentos emotivos, o diretor fala em transmitir isso. Se não fosse a poderosa atuação de Joel Edgerton que em muitos momentos é o único que te faz seguir adiante com todo o “absurdo” da trama.

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Outro ponto é o roteiro de Max Landis para a trama. Trazer o conceito a tona ajudou na trama mas os diálogos duvidosos, muitos personagens extremamente mal desenvolvidos ou dignos de terem linhas decentes. Se querem entender isso bem claro, é só perceber o que acontece com os personagens de Edgar Ramirez e da “vilã” Noomi Rapace. Enquanto isso, a parte técnica é um espetáculo e o uso de efeitos práticos em determinadas cenas de ação fazem a diferença provando que Ayer é um bom diretor de ação e nada mais.

Bright detém algo muito importante: representa novos passos para o cinema blockbuster. Aquele blockbuster que deseja ser algo diferenciado e único. Mas como todo projeto que aspira mais do que se imagina, falha em ter uma história que não anda muito para frente, personagens extremadamente mal desenvolvidos e principalmente um desfecho aquém do que se deseja. Ousadia, Bright tem, mas infelizmente nem todas as ideias podem funcionar em uma mídia como filme … Se fosse um jogo, seria bem mais interessante …

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