BATES MOTEL – PRIMEIRA TEMPORADA

Por Allyson Leite

Norman Bates foi um personagem marcante que aterrorizou nas telas de cinema nos anos 60. Nas mãos do genial diretor Alfred Hitchcok, “Psicose” se tornou um sucesso e ainda é até hoje. Isso se dá por causa da incrível atuação de Anthony Perkins que conseguiu pôr na tela um psicopata como nunca houve para sua época.

Transformar esse trabalho impecável e uma série ambientada nos dias atuais poderia ser inimaginável. Mas isso foi feito muito bem, e podemos dizer até com certa maestria, pelos criadores Carlton Cuse, Kerry Ehrin e Anthony Cipriano. Eles tiveram a tarefa de desenvolver um prólogo moderno da história original e conseguiram.

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“Bates Motel” respeita a obra de Hitchcock e traz um frescor e uma identidade própria acrescentando ao que já foi feito. E até ouso dizer que Alfred teria gostado da homenagem. Na série podemos ver o jovem Norman( FreddieHighmore ) e sua mãe Norma Bates ( Vera Farmiga )tentando deixar o passado e construindo um novo negócio, um pequeno motel na cidade de White Pine Bay. Se por um lado eles querem deixar seus problemas no passado, por outro lado as dificuldades sempre o perseguem. E nessa nova cidade eles tem de lidar com as mudanças, e certos crimes que toda a cidade parece estar envolvida.

Já de início vemos o grandioso trabalho de atuação de Freddie e Vera que conseguem levar toda a série sozinhos, se isso fosse preciso. Transparece na tela a forte ligação entre mãe e filho e todos os traumas que uma relação tão intima e nada natural pode causar. Vemos Norma Bates como uma mãe superprotetora, o que a leva a controlar cada decisão que o filho toma. Já o filho cresce achando tudo aquilo muito natural, e quando se depara com uma nova realidade conflitante com os fantasmas de seu passado e ao mesmo tempo com as dificuldades comuns da adolescência de qualquer garoto, a sua mente parece não ser capaz de aguentar tudo isso. A cada episódio vemos essa relação maternal deixando graves danos psicológicos em Norman. E já podemos imaginar onde isso o levará por conta do material já apresentado em “Psicose”.

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Se tratando do resto do elenco pode se dizer que as atuações são satisfatórias e com algumas até acima da média. Temos Max Thieriot interpretando Dylan, irmão de Norman. Também podemos ver Olivia Cooke como Emma Decody, uma jovem colega de Norman, com câncer de pulmão. E Nicola Peltz como Bradley, que ali só serve para ser interesse romântico do personagem principal. Nestor Carbonell faz um trabalho competente no papel de Romero, Xerife da cidade.

A série também não desaponta no quesito técnico. Todo o cenário e fotografia são dignos e bem fiéis ao original. Nota- se um tom mais escuro nas cenas com uso da cor azul e outros mais pastéis, dando uma sensação de suspense e até um pouco de tranquilidade em meio áhistória cheia de mistérios. A trilha sonora é discreta, não incomoda, mas também não traz nada de diferente, se comparado a grandiosa música de Bernard Herrmann (Psycho).

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Talvez a série crie uma dúvida geral por se tratar de uma história tão difícil de se trabalhar e por ser inspirada em um clássico tão inigualável. Mas se você é fã de Hitchcock pode ficar tranquilo quanto a isso, ‘Bates Motel’ é uma ótima pedida pra quem gosta de um bom suspense leve e uma história repleta de mistérios. Com bastante conteúdo a ser explorado nas temporadas seguintes, a primeira temporada abre caminho e promete se tornar uma das maiores séries da atualidade. Podendo até mesmo competir com as grandes séries do gênero.


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Alysson Leite

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