“Atividade Paranormal” chega ao fim fazendo mais dinheiro do que cinema

Por Lucas Ribeiro

A série “Atividade Paranormal” é menos cinema e mais máquina de fazer dinheiro. O novo filme, “Dimensão Fantasma”, que supostamente encerra a saga, segue exatamente a fórmula dos anteriores –quatro pela trama regular, mais um spin off latino– de sustos baratos, produção tosca e muita preguiça para executar o básico, como escrever um roteiro. Mas é o que menos importa.

O diretor –e agora produtor executivo– Oren Peli achou o pote de ouro ao fim do arco-íris em 2009 quando rodou o primeiro “Atividade Paranormal” pela mixaria de US$ 15 mil, basicamente o preço do equipamento usado e um troco para a equipe. A ideia era ter um filme de casa assombrada de baixíssimo orçamento, em que o diferencial seria fazer com quem as câmeras fossem parte da narrativa: um casal é perseguido por uma força demoníaca em casa e registram tudo até o final arrepiante. E só.

A ideia colou quando a Paramount lançou o filme com uma campanha de marketing esperta (o primeiro “trailer” mostrava não o filme, mas a plateia apavorada assistindo a um preview) e viu o orçamento minguado se transformar numa bilheteria de US$ 200 milhões em todo o mundo –o melhor custo/benefício da história. Daí seria impossível largar o osso, e o fiapo de roteiro foi transformado numa mitologia sobre um demônio, Toby, que busca o sangue de inocentes para retomar ao plano físico. Ou algo que o valha.

É preciso dar crédito a Peli, que foi esperto ao justificar o uso das câmeras no filme de 2009 e teve habilidade em construir um suspense equilibrado mais em sugestão do que em sustos fáceis –ao menos até o take final, totalmente desnecessário. A fórmula, entretanto, tornou-se uma muleta. O que se seguiu foi uma série de filmes baratos (os cinco custaram, juntos, US$ 18 milhões e renderam US$ 811 milhões aos cofres do estúdio) e entediantes.

Basicamente, são atores quase anônimos zanzando para lá e para cá segurando câmeras (o que muitas vezes não faz o menor sentido) por uma hora e meia, com 5 minutos de sustos fáceis e gritaria no final. Para quem procura aquela risada nervosa –e os números provam que é um oceano de gente–, é prato cheio.

“Atividade Paranormal: Dimensão Fantasma”, portanto, é exatamente isso. Uma família muda-se para a casa onde Toby tocou o terror anos antes. Aos poucos é revelado que tudo não passa de uma conspiração cultista para atrair a filha do casal em um ritual que pode devolver a forma humana ao demônio.

Na prática, vemos atores que provavelmente não veremos novamente carregando uma pesada câmera VHS que pode captar espectros, efeitos especiais de quinta, um elemento de viagem no tempo e uma conclusão tão inacreditável quanto boboca. É dinheiro em caixa certo, e a única dúvida no ar é ver até onde este “último capítulo” será mesmo definitivo.

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