Apostas para a Premiação do Festival do Rio 2017

“Aos Teus Olhos”, um dos favoritos aos principais prêmios

Toda a mostra competitiva já foi exibida e agora as atenções se voltam para quem serão os premiados dessa edição.

A disputa não tem um favorito claro, mas alguns títulos se destacam. “O Animal Cordial” e “As Boas Maneiras” têm caraterísticas em comum como a criatividade, o flerte com o terror, a polêmica devido ao tom sombrio dos assuntos e a total resistências dos realizadores em fazer um trabalho autoral que impressionou o público. Ambos são bons palpites. Outro filme de destaque foi “Aos Teus Olhos”, de Carolina Jabor, talvez o filme que mais obteve reações mais uniformes dessa edição. Com sua trama forte e abordagem intensa, o filme se destaca por não apresentar respostas exatas e deixar a questão central aberta ao espectador, que deixa a sessão intrigado. Os temas sociais podem contar a favor de “Açúcar”, que é mais um exemplo da boa safra do cinema pernambucano, e “Praça Paris”, que também flerta com o suspense.

Sanguinário e visceral, “O Animal Cordial” surpreendeu o público

Público: para o prêmio de votação popular, “Aos Teus Olhos” e “O Nome da Morte” são bons palpites, pois equilibram qualidade artística com uma trama envolvente e acessível. Ainda assim, “As Boas Maneiras”, mesmo mais polêmico, tem muitos fãs e pode surpreender.

Ator: Daniel de Oliveira (Aos Teus Olhos) teve a interpretação mais intensa do festival ao defender um personagem complexo que não se tem certezas absolutas sobre ele, mas se destacaram também Murilo Benicio (O Animal Cordial) e Marco Pigossi (O Nome da Morte), ambos como criminosos de caráter ambíguo. Menos conhecido, André Antunes (Alguma Coisa Assim) corre por fora com um trabalho sólido que acompanha o personagem em diferentes épocas de vida.

Isabél Zuaá e Marjorie Estiano, entre as favoritas ao prêmio de Melhor Atriz, por “As Boas Maneiras”

Atriz: Isabél Zuaá faz um desenvolvimento notável de personagem ao lado de Marjorie Estiano, que tem papel menor, mas igualmente destacável. Ambas protagonizam “As Boas Maneiras”, que pode render um prêmio conjunto para elas. Outras possibilidades são Grace Passô (Praça Paris), Caroline Abras (Alguma Coisa Assim), Luciana Paes (O Animal Cordial) e, principalmente, Maeve Jekings (Açúcar), que vem se destacando como uma das melhores atrizes de cinema da atualidade.

Direção: Assim como na categoria principal, a corrida está disputada com uma variedade de bons nomes, sobretudo, mulheres, que dominaram a edição desse ano. “As Boas Maneiras”, de Marco Dutra e Juliana Rojas, e “O Animal Cordial”, de Gabriela Amaral Almeida, se destacam pela construção do clima e pelos flertes com diversos gêneros. Mas não faltam bons nomes, como Carolina Jabor (Aos Teus Olhos), Renata Pinheiro e Sergio Oliveira (Açúcar) e Lúcia Murat (Praça Paris).

Roteiro fragmentado: “Alguma Coisa Assim”

Roteiro: A estrutura fragmentada de “Alguma Coisa Assim” pode chamar atenção do júri, assim como a inventividade da trama de “As Boas Maneiras”. Opções mais convencionais, ainda que boas, são “Praça Paris” e “Como é Cruel Viver Assim”, competente adaptação de peça de teatro.

Fotografia: A mais chamativa é de “Unicórnio”, que tem um visual bem destacado com lindas paisagens, ainda que as belas imagens acrescentem pouco a narrativa. Uma fotografia também bonita, mas que contribui mais com a narrativa é a de “O Nome da Morte”. A disputa deve ficar entre os dois.

Coadjuvantes: Sempre uma categoria muito difícil de prever, porque as opções são muitas. Mesmo assim, arrisco dizer Dandara de Moraes (Açúcar), Camila Morgado (O Animal Cordial) ou Fabiola Nascimento (O Nome da Morte) entre as mulheres, já entre os homens; Marco Ricca (Aos Teus Olhos), Irandhir Santos (O Animal Cordial) ou André Mattos (O Nome da Morte).

Altamente político, “Dedo na Ferida” empolgou o público

Documentário: A disputa está muito equilibrada e todos os candidatos podem levar, mas atenção para “Cartas para um Ladrão de Livros” e “Pastor Cláudio” para os prêmios do júri. Mas Walter Carvalho é sempre uma aposta sólida, então “Iran” pode surpreender. Para o público, “Dedo na Ferida” com sua trama política atual e contundente se destacou com um público maior e muito animado, assim como “Slam: Voz de Levante” sobre competições de poesia.

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