APENAS UM GAROTO EM NOVA YORK (2017): “CONTO DE AMOR QUE VALE A PENA SER VISTO”

Por Cadu Costa

 

Marc Webb apareceu como diretor de videoclipes de artistas famosos como Santana, Maroon 5 e Green Day, entre diversos outros. Nos seus vídeos já gostava de contar histórias urbanas e sentimentais, marca também de sua estreia no cinema com o famoso (500) Dias com Ela. Uma grande estreia, aliás, visto o lucro de quase dez vezes o orçamento original com uma trama simples sobre o relacionamento do protagonista Tom Hansen com a personagem Summer Flinn. Após o sucesso, Marc Webb alçou voos maiores com a franquia O Espetacular Homem Aranha, colocando Andrew Garfield no lugar de Tobey Maguire como o Amigão da Vizinhança. Como sabemos, nem tudo foram flores nesse momento e hoje o Homem-Aranha entrou no Universo Marvel com Tom Holland no papel.
Tudo isso pra vermos o retorno de Webb às comédias dramáticas com seu Apenas Um Garoto em Nova York. Com roteiro de Allan Loeb (Quebrando a Banca, de 2008 / Beleza Oculta, de 2016) e com produção da Amazon Studios, concorrente direta da Netflix, o filme conta a história de Thomas Webb (Callum Turner), um jovem recém-formado perdido na imensidão da cidade de Nova York e que tem seu mundo virado ao descobrir o caso extra-conjugal de seu pai Ethan Webb (Pierce Brosnan). Ele tenta impedir que a situação continue, mas acaba se envolvendo com Johanna a amante, linda e sedutora vivida por Kate Beckinsale. Em meio ao turbilhão de sentimentos, recebe conselhos de W.F. Gerald (Jeff Bridges), seu vizinho com um humor e sabedoria peculiares.
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A obra assume um viés saudosista seja por escolhas musicais óbvias como The Only Living Boy in New York (título em inglês do filme) de Simon & Garfunkel e/ou por  Visions of Johanna de Bob Dylan, mas principalmente por se tratar de história no nível Woody Allen de ser. NY, amores improváveis, ironias imperfeitas, dramas atemporais, tudo soa muito como o famoso diretor nova iorquino faria e fez em clássicos como Manhattan (1979).
Mas, acredite, é bom o filme. Apesar de seu tema manjado, Marc Webb consegue que seu Apenas um Garoto em NY seja atraente com sua narrativa poética e seu elenco correto onde todos se completam e ninguém se sobressai demasiadamente.
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O protagonista Thomas, aliás, lembra em alguns aspectos Benjamin, personagem de Dustin Hoffman em A Primeira Noite de um Homem (1967) com seu puro senso de conhecimento da vida. O filme traz de volta vários elementos comuns do estilo das obras indie que Webb já apresentava em 500 dias com Ela:  o protagonista que não segue o padrão de beleza corriqueiro de Hollywood e que sofre por uma mulher, uma garota hipster e a trilha sonora alternativa.
Mesmo que seja menos dinâmico e original do que seu maior hit, Marc Webb mostra que Apenas um Garoto em Nova York é um conto irônico que merece ser visto e nos faz entender o quanto a vida pode ser uma bagunça, mas também, prazerosa e bem aproveitada.
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