A MELHOR ESCOLHA (2017) “O RESGASTE DE VELHAS AMIZADES COM UMA PERSPECTIVA DO MILITARISMO AMERICANO”

Por Geofry Hanney

 

Richard Liklater é um dos diretores mais humanos em atividade em Hollywood, sendo responsável pela excelente trilogia “Antes do Amanhecer” e o aclamado “Boyhood”. Em 2017, ele é responsável por um longa que talvez pule um pouco da sua a zona de conforto em sua filmografia. Last Flag Flying (A Melhor Escolha), conta com um trio de atores veteranos e respeitados na indústria (Steve Carrel, Lawrence Fishburne e Bryan).

O longa não é nada mais que uma crítica dominante ao militarismo americano sobre a perspectiva de três velhos amigos que serviram juntos no Vietnã e se reencontram repaginados de uma grande culpa no passado, se unindo após a morte do filho de um deles, um jovem marinheiro morto na Guerra do Iraque.

@Divulgação Imagem Filmes

A direção de Linklater, que adapta a obra de Darryl Ponicsan (e também assina o roteiro) faz questão de priorizar os diálogos aguçados proporcionados pelo roteiro, a fim de transcender o que entendemos tradicionalmente sobre o heroísmo militar, e tudo isso funciona porque acontece uma boa química entre o trio de protagonistas, que além demonstrarem força nos diálogos, sabem impulsionar uma grande presença em cena. Porém, cabe a quem assiste se entregar totalmente a três homens opostos um do outro.

Vemos à primeira vista um Steve Carrel abalado, sensibilizado e repleto de incertezas após a morte do filho. De um lado há um homem estressado e cobiçoso interpretado pelo Bryan Cranston, que roubando a cena completamente, não faz questão de manifestar a sua hostilidade comicamente instável. Do outro temos um Lawrence Fishburne visualmente revigorado como um Reverendo, mas que consegue ser tocado por palavras e insinuações devido ao vinculo de décadas atrás com os velhos amigos.

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Os três partem em jornada para enterrar o filho de Doc, tornando o esqueleto do filme uma humanização emocionante sobre um pai que não quer enterrar um homem que serviu em combate, e sim um filho.

Além disso, o diretor não pondera linha de tempo ou flashbacks, o que reforça ainda mais a sagacidade que um filme pode demonstrar através da força dos diálogos em meio a várias mágoas do passado. É uma estratégia interessante, mas que não deixa de se deslocar para momentos improváveis do roteiro, que se torna um pouco arrastado no segundo ato.

A Melhor Escolha não é a melhor obra prima do Linklater. Mas ainda assim consegue deixar a sua marca, com um filme sem agitação, mas com uma carga reflexiva tocante devido a força dos diálogos e as atuações.

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